A Inteligência Artificial e seus desdobramentos nos chamados modelos de linguagem ampla (LLM), Machine Learn, Automação Generativa e ChatBots, como o ChatGPT (e derivados como Copilot e Grok), Google Gemini e Meta AI, têm se disseminado socialmente e afetado as práticas científicas; tomando-se como exemplo a integração do mecanismo Copilot ao software de edição de textos Microsoft Word (em sua versão mais recente) para geração de sumários automatizados, sugestões ou emprego de modificação na escrita diretamente no texto durante o processo de digitação.
Nesse contexto, apoiada em estudos e recomendações feitos pelo Committee on Publication Ethics (COPE), a Revista Alterjor define as diretrizes relacionadas ao uso da AI (IA):
1. As ferramentas de IA podem constituir um recurso auxiliar para o desenvolvimento de textos e pesquisas científicas. Entretanto, possuem limitações, vieses, possíveis problemas de objetividade e acurácia. Desse modo, seu uso, na elaboração de manuscritos, deve ser feito de maneira ponderada, crítica e responsável: por exemplo, a partir da checagem da validade de informações e referências fornecidas, bem como pela verificação que permita perceber se há plágios em dados de consultas.
2. Em nome da transferência científica, o uso de Ferramentas de Inteligência Artificial deve ser claramente indicado nos originais, com a descrição do tipo de IA utilizada, justificativa e propósito de uso, preferencialmente na seção metodológica do artigo. Como em relação a outras ferramentas de pesquisa, os artigos poderão apresentar reflexões sobre as vantagens e limitações do recurso, em diferentes formas de uso, como a geração de ideias iniciais, coletas de dados, elaboração de tabelas e figuras, entre outras.
3. A autoria de trabalhos e artigos científicos está relacionada com o desenvolvimento pleno de uma criação intelectual, ao qual correspondem responsabilidades morais e legais. Assim, apenas seres humanos podem assumir esse papel e as aplicações de Automação Generativa e ChatBots não devem ser listados nem incluídos como autores ou coautores de trabalhos submetidos à revista. Em caso de detecção de imitação do estilo de redação de autores veementemente não participantes do manuscrito, a submissão será automaticamente descartada por falsidade autoral mediada por tecnologia mimetizadora.
4. A avaliação de trabalhos científicos também é uma tarefa humana que envolve preocupações com a confidencialidade da relação entre revista, autores e revisores. Nesse sentido, os editores da revista e seus revisores não devem utilizar ferramentas de inteligência artificial em etapas avaliativas dos trabalhos enviados a Revista Alterjor.
5. A Revista Alterjor se reserva ao direito de utilizar softwares detectores de IA (intervenção escrita gerada por Inteligência Artificial) como o Clarivate para averiguar e salvaguardar a condição de ineditismo dos manuscritos submetidos a qualquer momento.
Atualizado em 09/09/2026:
Situações de Plágio com Ferramentas de Inteligência Artificial (IA):
- Citação Fantasma (Autoria Forjada / Ghost Citation): criação de falsos autores e trabalhos deles decorrentes à medida em que se recorre a um tipo de apoio textual, de textos, artigos, livros e de um autor que na verdade nunca foram publicados ou sequer teriam existido. Em ferramentas de Inteligência Artificial, são relacionados a resultados decorrentes da alucinação (defeito de software) quando se apresenta um nome e um texto como retorno a um resultado de busca, cujo defeito consiste na própria falta de verificação ao mesmo tempo em que o modelo pré-treinado instrui ao mecanismo a necessidade de obtenção de um resultado que ao tentar buscar verificação, retorna uma busca fragmentada com partes desconexas, cujos indícios podem ser obtidos pela invenção de datas e números de páginas sem clara correspondência com as normas de uma publicação editorial, por exemplo: com registros no ISBN e ISSN. Normas de mitigar a ocorrência de Citação Fantasma: efetuar a busca por mecanismos confiáveis de informação científica, como Google Scholar, Clarivate, Scopus e Elsevier - ao mesmo tempo em que a insistência no uso de outras ferramentas de Inteligência Artificial manteriam a condição de suscetibilidade a falhas de alucinação bem como a de referenciamento viciado a partir de redes sociais e perfis de acadêmicos em páginas pessoais. Em última instância, é recomendável verificar em sites de periódicos científicos e de livrarias eletrônicas a busca a determinados autores em questão para constar se, de fato, a possibilidade da citação sugerida é plausível e no caso da ausência de resultados, de se arriscar a se envolver em uma prática relacionada ao plágio com fontes fabricadas com referência a algo que nunca teria sido publicado e portanto, sem validade científica;
- Deslocamento de Citação (Warp): referente a constatação de desvirtuamento de uma citação de forma que a publicação original sequer teria discutido nem discorrido em termos diferentes à proposição original, como por exemplo, usar um autor clássico para sustentar um posicionamento que nunca foi articulado na obra original: neste caso, atribuir ao filósofo Sócrates, um desdobramento sobre a lógica a partir da determinação proposta por Renè Descartes. Enquanto Sócrates aborda inúmeras passagens sobre a binaridade (sim ou não), em nenhum caso, a associação com "penso, logo existo" implicaria na escolha automática do sim ou não, sobretudo porque na proposta do determinismo, o enunciado cartesiano NÃO corresponde com aqueles abordados por Sócrates, principalmente pela temporalidade (período grego clássico) e França do século XVI. Citações deslocadas podem ocorrer tanto por alucinação de ferramentas de Inteligência Artificial ao se depararem com referências advindas de patchwork (colcha de retalhos) quanto por atitudes dissimuladas a ponto de provocar o constrangimento e a ridicularização sistemática de fontes com referências propositalmente comprometedoras em contextos deslocados para tal motivação. Uma vez constatado o deslocamento de citação, o trabalho não apenas incorre numa falha grave de atitude ética em relação a autores como também como falha de conferência por descontextualizar trabalhos de forma deliberada. Para evitar a ocorrência de Deslocamento de Citação, a melhor prática de evitar essa ocorrência exige que se tome notas de referência com a maior precisão possível, delimitando todos os tipos de aplicação trabalhados pelo autor original. Em caso de revisitar conceitos, no âmbito filosófico, é recomendado, primeiramente, o respeito ao autor e à obra mencionada e salientar em diversas ocasiões a proposição metodológica, sempre com respeito e sem faltar com as obrigações éticas científicas, sem se esquecer que a revisitação teórica NUNCA PODE adentrar diferentes setores daqueles abordados pelo autor mencionado.
- Remix (Colcha de Retalhos / Patchwork): ocorre quando há mistura de diferentes fontes de referência, que ao invés de dar apoio e sustentação teórica, contribui para o oposto, expondo falhas de abordagem, objetivos e em última instância, como erro metodológico. O principal erro observado nesse caso pode ser exemplificado por duas teorias não complementares entre si diante de uma proposta que tenta postular o contrário. Nesse caso, a teoria da Mediação, como o uso social da comunicação por comunidades não atendidas nem contempladas como público da grande mídia -- versus a teoria da Midiatização, que consiste na estruturação de ferramentas para produção de comunicação a partir dos próprios elementos linguísticos, sígnicos e semânticos. Em suma: uma teoria abarca precedentes sociológios diante da Comunicação enquanto outro utiliza ferramentas linguísticas, sendo que cada um possui uma aplicação metodológica de forma consolidada e própria e a mistura de diferentes procedimentos incorre na incitação do choque de raciocínios ou mesmo na indefinição de uma metologia que não compreende a ocorrência de procedimentos alheios à sua realização. Como forma de evitar citação indevida a trabalhos cuja metodologia não comporta nem abrange trabalhos com procedimentos alheios aos caminhos científicos em adoção: verificar se os trabalhos aderem à proposta de sustentação e amparo às fundamentações teórico-práticas, e sempre que possível, ler integralmente os trabalhos de tais autores antes de mencioná-los para certificar-se, antes mesmo de se referir a tais, se realmente contribuem com a proposta do trabalho.
- Mosaico (Paráfrase Indevida, Acidental ou "Não percebida"): diante das ferramentas autogenerativas de Inteligência Artificial, trata-se da maneira que mais apresenta suscetibilidade de ocorrência, por conta do uso de chatbots de consulta cujo retorno se consiste de um texto resumido que não segue parâmetros científicos de resumo textual, notadamente, o fichamento e a resenha. Nesse caso, a substituição de palavras por substantivos e adjetivos relativamente diferenciados do texto original configura como paráfrase, independente da intenção, falta de atenção ou não percepção da aplicação da paráfrase provocada por chatbot como forma de entregar versões resumidas ao invés da menção correta original com as mesmas palavras do autor original. Num trabalho científico é desejável ter o texto original citado sempre que possível entre aspas (com até três linhas no corpo de texto) ou em citação com recuo de parágrafo. Textos parafraseados com até cinco tópicos-chave num mesmo parágrafo devem trazer a referência ao original citado, como (FREUD, 2006, p. 55) e não devem ser recorrentes em frases ou parágrafos consecutivos. Meios de prevenção de Paráfrase Indevida, Acidental ou Não Percebida: tomar notas de maneira precisa, cuja cópia envolve utilizar o mesmo trecho que deve ser referido à fonte original entre aspas ou como recuo. Para controlar a ocorrência de paráfrases, se recomenda o exercício de escrever sobre o tema discorrido pelo autor citado com as próprias palavras sem consulta ao livro ou as notas tomadas: se esse texto apresentar qualquer tipo de inconsistência, nota-se que o autor não possui intimidade suficiente com o texto mencionado ao ponto de parafraseá-lo. No caso de paráfrase "não percebida", recomenda-se a atenção sobre justamente aquilo que será cobrado do autor em caso de constatação de similaridade com textos já existentes e sem creditação aos autores, porque no caso de envio de "material original" fica subentendido que os autores estão cientes de que todas as formas de observação de citações e pesquisas a fontes publicadas em livros, periódicos científicos, trabalhos publicados em conferências, etc - foram devidamente verificados. Nesse caso, a justificativa de que "usou o resultado sugerido pela Inteligência Artificial e 'não sabia que se tratava de uma paráfrase', com clara desatenção à pesquisa dos termos retornados" NÃO É ACEITA COMO DESCULPA, uma vez que o processo de revisão (não apenas textual, mas METODOLÓGICA) já estava indicado como RESPONSABILIDADE DO PRÓPRIO AUTOR.
+ Com informações retiradas da Committee on Publication Ethics (COPE) e do Departamento de Serviços de Biblioteca da Universidade de Pretoria (África do Sul)
ISSN: 2359-1145
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